Um Pilar entre os pilares – por Shizuo Alves

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Foto: Brito Júnior/UniCEUB

Na noite da última segunda-feira (25), o UniCEUB/Cartão BRB/Brasília garantiu a classificação para as semifinais do Novo Basquete Brasil (NBB) ao vencer o Paulistano por 83×78, num ginásio da AsCEB lotado. Após três anos, enfim o ‘Time de Lobos’ está de volta ao quadrangular final do NBB com uma atuação digna de quem tem grandes ambições e não se acomodou após vencer o tricampeonato Sul-Americano, no início da temporada.

O confronto foi decidido no último quarto, muito por conta da noite iluminada de Lucas Cipolini, que cravou 18 pontos em 19 minutos e 22 segundos em quadra, sendo o cestinha do Brasília empatado com Deryk Ramos. Entretanto, longe dos holofotes, brilhou novamente a estrela de Henrique Macia Alves da Cruz, ou simplesmente Pilar.

Nascido em São Paulo, Pilar raramente dá entrevistas ou é destaque na imprensa por conta de números exorbitantes. Seu nome, entretanto, tem sido gritado em alto e bom som pelos torcedores que lotaram a AsCEB nos dois confrontos das quartas de final. Organizando e se doando na parte defensiva, passou a ser chamado de “cão de guarda”. O típico atleta que visa o bem coletivo – trabalha para que os colegas brilhem, sem ego, mas com muita cumplicidade.

No livro ‘Transformando suor em ouro’, do técnico Bernardinho, o comandante da Seleção Masculina de Voleibol ressalta que “um líder não escolhe ser um líder – é eleito pelos companheiros”. O ala/pivô parece ter sido um dos escolhidos pelos 15 colegas de equipe, juntando-se a outros pilares como Fúlvio e o capitão Guilherme Giovannoni. “É difícil falar sobre isso, mas sei que o Fúlvio e o Gui são os líderes que escolhi”, conta o jogador.

Essa liderança foi explícita na noite de ontem. Pilar corria, atacava, defendia e arriscava. Mas, para ele, não era o bastante. Nos picos do nervosismo dos companheiros, também os acalmava, tentava coloca-los de volta na partida e, mesmo quando deveria descansar no banco, ficava em pé enviando as energias que acabara de recuperar para quem estava em quadra.

As atitudes do atleta do UniCEUB/Cartão BRB/Brasília contagiaram a todos. Mesmo com limitações técnicas, Pilar foi fundamental para que o time de Bruno Savignani chegasse e avançasse nos playoffs. A camisa 5 e o apelido de “cão de guarda” são apenas duas ‘coincidências’ que o aproximam, por exemplo, de Carles Puyol, ex-zagueiro do Barcelona e Seleção Espanhola. Puyol era o primeiro a chegar ao treino e o último a sair. Reconhecia suas limitações , mas investia tudo o que podia no coletivo e no que sabia fazer de melhor: defender e liderar, sempre em busca do bem comum ao grupo. Não atoa era um dos capitães do Barça, respeitado por todos, assim como Pilar.  “Me considero apenas uma peça entre os outras. Sei meu papel defensivo e de liderança ao cobrar que a equipe seja sempre um time onde todos sejam solidários e prezem o trabalho em conjunto. É um prazer jogar num ambiente onde todos se doam ao grupo com o objetivo de ganhar”, enfatiza o paulista.

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Bruno Savignani e Guilherme Giovannoni dividem instruções com Pilar. Foto: Brito Júnior

Ainda no colégio, Henrique certamente não imaginaria que o apelido – colocado pelos amigos por conta da estatura – traduziria tão bem a função que exerceria futuramente dentro de uma equipe profissional de basquete: ser um dos pilares, um dos alicerces necessários para se construir títulos. “Resolvi colocar Pilar na camisa quando saí de São Paulo. Achava mais legal que Henrique e também é mais fácil de falar”, brinca.

Com 32 anos e cinco temporadas no NBB, ainda não ganhou a competição nacional, o que não o impede de desejar e trabalhar diariamente para alcançar esse objetivo. “As metas com esse time são os títulos! Já a minha meta pessoal é conseguir dar o máximo em cada partida e motivar meus companheiros para mim já é uma grande satisfação”, conclui Henrique Pilar.

Foto: Brito Júnior
Foto: Brito Júnior

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